Você conhece gestores que são muito bons de oratória, constroem bons relacionamentos, são simpáticos, generosos e relativamente acessíveis, mas que não sabem usar da sua influência, habilidades e poder para construir uma cultura sólida e benéfica para o coletivo? Que parecem não lutar por melhorias significativas para as outros, a quem ele representa e que dependem dele? Que parecem estar sempre atuando em um nível mais raso da gestão, e, portanto, recuam, se omitem e aceitam rápido uma negativa de alguém com mais autoridade que ele?
Acredito que você conhece algum gestor que esteja passando por isso; inclusive você mesmo pode estar vivendo um período assim como gestor. É preciso entender que esse comportamento pode ter várias causas, e pode ser mudado completamente. Mas como o tema é extenso, vamos falar disso em vários capítulos e hoje vamos trazer a primeira história desse contexto.
Mas antes de entrar mais profundo no tema deste primeiro artigo, deixa eu te esclarecer, que esse texto não é sobre MEDIDAS DE CONTROLE, mas preciso explicar sobre isto antes de chegar aonde quero.
Então vejamos agora primeiramente de forma resumida sobre a HIERARQUIA DE CONTROLE.
Líderes são chamados a executar diversas MISSÕES, para que uma VISÃO seja alcançada. Durante esse percurso, inúmeros perigos e riscos se apresentarão como ameaças ou oportunidades para o processo, portanto, o líder precisa aprender a identificar e gerenciar riscos.
Na engenharia de segurança, nós aprendemos que cada problema deve ter uma solução e um controle. Esses controles devem obedecer e seguir uma regra hierárquica. Sim, os controles têm uma hierarquia que deve ser seguida (veja a imagem 1):

(1) eliminar (2) substituir (3) engenharia (4) administrativo (5) EPI – Equipamento de Proteção Individual.
Vejamos alguns deles …
1️⃣ ELIMINAR:
Se há um risco, precisamos primeiramente estudar as medidas de (1) ELIMINAÇÃO desse risco: projetos, tecnologias e recursos que elimine definitivamente o problema. Se o problema for eliminado não teremos mais riscos e nem emergências.
2️⃣ SUBSTITUIR:
Sabemos que nem todos os riscos podem ser completamente eliminados, então devemos pensar em medidas que diminua a força e o impacto do risco sobre as pessoas, agindo diretamente na fonte geradora. Buscando em um segundo passo (2) SUBSTITUIR artefatos que possam diminuir o potencial de gravidade do risco.
Nosso foco e atenção multidisciplinar tem sempre que se concentrar em gerenciar o problema na fonte. Pois se falharmos nessas duas primeiras etapas, só nos restará os 3 passos seguintes: medidas de (3) ENGENHARIA, (4) ADMINISTRATIVOS e (5) EPI, que são medidas com muitas fragilidades e que exigem:
Interação e habilidade humana,
Manutenção periódica e
Redundância de controle, ou seja, o controle sobre o controle.
Apesar da hierarquia de controles (imagem 1), ter sido criada para riscos físicos que podem gerar acidentes de trabalho; ela é amplamente utilizada por mim, ensinada e aplicada ao time da Metanóia Coletiva e para nossos clientes, para determinar controles de riscos administrativos e principalmente gerencial.
Para você entender melhor, vou te contar agora uma história real, de quando o discurso gerencial se sobressai sobre a ação, se utilizando de controles frágeis e paliativos como se fossem medidas únicas de gerenciamento de risco; colocando em risco vidas, patrimônios, imagem e a história de pessoas, cidades e empresas.
HISTÓRIA REAL:
Estamos em período de chuva em boa parte do Brasil; nessa época os riscos de acidentes aumentam através de alagamentos, desabamentos, quedas de árvore, choques elétricos, afogamento, escorregões, quedas e acidentes no trânsito.
Os profissionais de instituições privadas e governamentais que dão apoio e suporte a população, não só trabalham mais, nesse período, mas também expõem as suas vidas, para que outras pessoas possam estar bem.
🆘 Vemos a equipe de manutenção elétrica nas ruas buscando estabelecer o retorno da energia elétrica.
🆘 As equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, SAMU, abastecimento de água, saneamento, guardas de trânsito, policiais e tantos outros profissionais que se expõem aos riscos dos atendimentos emergenciais e caóticos.
VAMOS AGORA PARA UM EXEMPLO REALISTA:
Se as lideranças já sabem que existe um período do ano, onde a precipitação das chuvas tem maior volume e o risco para a população aumenta, por que projetos concretos não são executados no período da estiagem?
Aqui eu quero dar um exemplo clássico; todas as vezes que se inicia o período de chuvas fortes, aumenta-se os riscos; por isso, em algumas cidades brasileiras, os habitantes recebem um alerta em seus celulares para evitar ruas que alagam. É comum também encontrarmos nas ruas, placas de sinalização (imagem 2), informando que aquela rua alaga em dias de chuva, ou seja, o local fica perigoso para vida e para a saúde das pessoas.

A primeira vez que vi uma placa de rua, igual a essas que postei aqui (veja imagem 2); eu estava viajando de carro pela primeira vez, por uma cidade que eu ainda não conhecia. O trânsito estava intenso, quando me deparei com essa placa em meu trajeto. Fiquei surpresa, ao descobrir que eu estava em uma avenida central, que não tinha retorno e nem vicinais para eu sair dali com o carro. Também me informaram que aquela rua em que eu estava, era a única rua que dava acesso para o local onde deveríamos chegar. Então, eu parei para refletir que eu estava dentro de um carro com a minha família, em uma rua que poderia se tornar perigosa para as nossas vidas, a qualquer momento, se começasse a chover. E o pior, não tínhamos como sair daquela rua e pegar outra trajetória.
Refleti que aquela placa era inútil para mim, porque eu não tinha obtido a informação antes de entrar na rua. E mesmo que tivesse, eu não tinha como obedecê-la, pois não havia outra opção ou outra rua que nos levasse até o local.
Percebam que PLACAS DE AVISO e INFORMATIVOS não são eficazes; porque os gestores locais e seus processos de gestão não removeram o problema, e ainda colocaram a total responsabilidade na habilidade e condição humana; evidenciando a terceirização de suas responsabilidades para os habitantes, através das placas de sinalização. Isso é grave, pois se temos um risco conhecido e sabemos o que fazer para eliminar esse risco, as placas e sinalizadores deveriam ser apenas medidas provisórias enquanto implantamos as medidas realmente eficazes.
✅ E QUANDO AS PLACAS E SINALIZAÇÕES SE TORNAM MEDIDAS DE SEGURANÇA DEFINITIVAS.
Nesse momento precisamos fazer várias reflexões sobre modelos de gestão, processos de gestão, preparo das equipes técnicas e das lideranças, competência e habilidades de líderes para gerenciar riscos, orçamentos, prioridades e oportunidades.
SINALIZAÇÃO não elimina e nem diminui o risco, por tanto sinalização sem AÇÃO não é gestão de risco; e quando o processo de gestão falha, não existe alerta que resolva, e é justamente nesse momento que acontece o que a maioria vai chamar de “acidentes”.
CONCLUSÃO:
As notificações no celular, avisando que vai cair uma forte chuva, em pouco minutos, quando você está em meio a um trânsito caótico, sem vicinais, rodeado de placas de sinalização, informando que a rua que você está vai alagar em poucos minutos; isso tudo não evitam acidentes e nem mortes.
Placas e avisos não impedem alagamentos e não seguram a queda de barrancos e árvores.
Discursos não substitui obras, não substitui projetos e ações reais e concretas para tratar problemas.
Tratar eventos e problemas previsíveis como se fossem tragédias inevitáveis, é eximir-se do cuidado genuíno com a vida humana.
Todo ano chove, e todos já sabem quais são os períodos de chuva e de sol. Então o que falta?
Falta lideranças fortes, falta comportamento alinhado com discurso, falta drenagem, saneamento, manutenção preventiva, ocupação urbana responsável e compromisso real com quem mora nas áreas mais vulneráveis. Falta preocupação real com trabalhadores que se expõem em dias de caos para colocar a cidade em ordem e a vida das pessoas a salvo novamente.
Liderança é a capacidade de construir legado para a coletividade. Portanto todas as vezes que você estiver diante de um problema físico, psicológico, estrutural, pessoal ou profissional; pense na hierarquia de controle: pense em realmente eliminar ou reduzir o problema na fonte. Líderes resolvem problemas, líderes não mascaram e nem protelam soluções.
Pense nisso! Te aguardo no próximo capítulo. Abraços!
Texto escrito por Maria Britto Jefres da @metanoiacoletiva_ Siga nossas redes através do nosso site: www.metanoiacoletiva.com.br e instagram @metanoiacoletiva_
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